terça-feira, 17 de maio de 2011


E é por isso que eu canto:

"Deixa a vida me levar. Vida leva eu.
Deixa a vida me levaaaar. Vida leva eu.
Deixa a vida me levar. Vida leva eu.
Sou feliz e agradeço por tudo que DEUS me deu".

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Eu sei que você sabe. TE AMO!?!

Eu sempre considerei muito o Dia das Mães. Sempre era eu, lá de casa, quem acordava cedinho pra correr pra escola e começar a arrumar as cadeiras pras mães que chegariam dali a pouquinho, e se reuniriam com seus filhos, professores e com as outras mães. Eu enchia os balões, arrumava a mesa, ajudava a cobrir o bolo e, quando tudo estava pronto, escrevia na lousa a célebre frase de todos os anos: "Nós te amamos, MAMÃES".

Era tudo tão lindo. Tão mágico. Todas as turmas se reuniam. Nós passávamos quase um trimestre montando uma peça para homenageá-las e na hora desistíamos porque não conseguíamos apresentar. Quando o mês de maio ia se aproximando, eu começava a guardar os poucos centavos que ganhava do meu avô para tentar, no dia, comprar o presente mais bonito que encontrasse - meu pai raramente ajudava. Tudo porque ela merecia. Merecia e ainda merece. Merece o meu esforço, a minha dedicação e ainda as minhas economias.

Uma coisa que sempre acontecia em todos os Dias das Mães é que eu chorava muito quando as primeiras mães começavam a chegar na escola. Minha mãe tem um comércio em Taperoá, e ela sempre estava muito ocupada. Em todas as festinhas das mães ela se atrasava e eu chorava muito. Foi assim até o segundo ano do que, na época, era o científico. Até que eu a visse entrando pelo portão verde da escola e sorrindo, eu não parava de chorar. Eu a abraçava forte e passava a festa inteira sentada no colo dela. Sabe, eu adoro o cheiro da minha mãe. Ela exala um aroma de pele limpa tão gostoso, que agora me remete à saudade... Bom, mas, continuando, eu tenho na memória a vez em que fiquei mais triste em uma comemoração de Dia das Mães na escola, quando eu fazia a segunda série do fundamental. Acho que em todas as escolas tem aquelas brincadeiras ou sorteios para as mães concorrerem a presentes, né? Pois é. Foi numa dessas brincadeiras que aconteceu a minha maior decepção. Eu lembro que a professora perguntou que mãe queria participar da brincadeira naquele dia. Quando ouvi ela perguntar, agarrei o braço de Mainha e levantei. Fiquei segurando até que a professora a chamasse. Mainha estava linda com um conjunto preto de saia e blusa que a gente escolheu numa revista pra ela usar no dia das mães. Eu adorava aquela roupa. Mas, isso não vem ao caso agora. O fato é que ela foi lá participar da brincadeira. E a questão era a seguinte: minha mãe ficava de olhos vendados e a professora colocava três meninas, incluindo a mim, pra ela tocar e adivinhar quem era sua filha, no caso, eu (risos). E a brincadeira começou. Eu sentia Mainha tremer. Acho que ela sabia o quanto era importante pra mim que ela ganhasse. Depois de tocar todas, detalhadamente, ela chutou. Pra total destruição das esperanças vestidas na menina de cabelos curtos e sinal no queixo, minha mãe errou. Merda, bicho!! A professora colocou, justamente, uma menina de cabelos curtos e magrinha, igual a mim. Desastre total, velho!! Que merda!! Mainha esqueceu de um detalhe que só eu tinha. Um sinal enorme no queixo. Inconfundível. Era só sentir. Em vez de agir como uma boa menina e tentar compreender o que tinha acontecido, eu puxei Mainha pelo braço e saí chorando pra casa, com raiva, porque minha própria mãe não tinha me reconhecido... EEEEEita, decepção, cara!! Com certeza ela lembra disso!

Outra cena hilária que eu protagonizei em um Dia das Mães, dessa vez no sexto ano, foi por causa de um dos muitos atrasos de Mainha. Como em todos os segundos domingos de maio, eu acordei cedo e fui à luta, deixar tudo bonito pra ela e para as outras mães. Deixei a sala lindo. Quando tudo já estava pronto, as mães começaram a chegar. E Mainha já estava uma hora atrasada. Todas as mães já haviam chegado, menos a minha. E, enquanto isso, eu fazia igual ao Kiko: encostava o braço na parede, escondia o rosto e chorava. Chorava muito. Chorava tanto, que as outras mães sentiam pena de mim. Lembro que, quando levantei a cabeça, elas estavam todas na porta, me olhando. Até que uma professora, que já não lembro quem era, ligou pra Mainha e pediu pra ela correr pra escola. Hoje eu rio disso, sabe? Mas na hora eu sentia um desgosto muito grande.

Mainha nunca perdeu nenhuma comemoração do Dia das Mães na minha escola. Esse dia parecia ser mais importante pra mim do que pra ela. E eu arrisco dizer que era. Eu tinha tanto orgulho de mostrar a minha mãe. Minha Mainha. Só que os tempos passam, a gente vai crescendo e, no meu caso, como no de muitos outros adolescentes que moram no interior, temos que sair e procurar construir o nosso futuro. Foi assim que aconteceu no segundo semestre de 2008. Eu vim estudar em João Pessoa e deixei a minha mãe.

Desde 2008, não comemoro esse dia do lado dela. Só que esse ano a situação não foi como nos anos anteriores em que eu ligava e chorava a distância dela. Esse ano eu nem cheguei a ouvi-la. Não senti suas lágrimas, nem beijei-lhe a face. Pensei nela o dia inteiro e não disse pra ninguém. Parabenizei uma mãe que não era a minha. Senti o calor de uma família que não era a minha. Acordei do lado de uma mãe que não era a minha. Abracei irmãos que não eram os meus. Compartilhei uma felicidade de mãe que não era a da minha. E assim seguiu o segundo domingo de maio deste ano. Eu não sabia que, do outro lado, minha mãe chorava a distância da sua mãe e a dor da minha mensagem que dizia mais ou menos assim: "Mesmo a senhora não querendo falar comigo, eu lhe desejo um feliz Dia das Mães. Que a senhora aproveite ao lado dos que ama e que te amam, desculpando os que lhe fizeram tanto mal, a ponto de merecerem seu distanciamento”. Eu não sabia que ela iria ficar tão triste por causa dessa mensagem. E só depois que enviei foi que percebi que eu não disse que a amava. Mas, eu amo. AMO muito a minha Mainha.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Senhoras e senhores da minha turma [grifo nosso]:


Filtro solar!
Nunca deixem de usar o filtro solar
Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: usem o filtro solar!
Os benefícios a longo prazo do uso de Filtro Solar estão provados e comprovados pela ciência.
Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante. Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês...

Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.
Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado. Mas pode crer que daqui a vinte anos você vai evocar as suas fotos, e perceber de um jeito que você nem desconfia hoje em dia, quantas, tantas alternativas se escancaravam a sua frente e como você realmente estava com tudo em cima; Você não está gordo ou gorda...

Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que
pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra.
As encrencas de verdade em sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça-feira modorrenta.Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.

Cante.

Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.

Não perca tempo com inveja. Às vezes se está por cima, às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim, é só você contra você mesmo.

Não esqueça os elogios que receber. Esqueça as ofensas. Se conseguir isso, me ensine. Guarde as antigas cartas de amor. Jogue fora os extratos bancários velhos.

Estique-se.

Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois o que queriam fazer da vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda não sabem.

Tome bastante cálcio.
Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles.

Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.

Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você. As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo. É assim para todo mundo. Desfrute de seu corpo use-o de toda maneira que puder, mesmo!! Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele. É o mais incrível instrumento que você vai possuir.

Dance. Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.
Leia as instruções mesmo que não vá segui-las depois.
Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio


Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez. Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.

Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons.
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem.

More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.
More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.

Viaje.

Aceite certas verdades inescapáveis: Os preços vão subir, os políticos vão saracotear, você também vai envelhecer. E quando isso acontecer você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes, e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos!! E não espere que ninguém segure a sua barra.
Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.
Talvez você case com um bom partido, mas não esqueça que um dos dois de repente pode acabar.
Não mexa demais nos cabelos se não quando você chegar aos 40 vai aparentar 85.

Cuidado com os conselhos que comprar, mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia. Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.

Mas, no filtro solar, acredite.

Mary Schmich - Filtro solar

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O dia em que conheci Ariano

__ Fique à vontade, Ariano.
__ Pois tire esse microfone da minha frente. (risos)

Pense num cabra da peste esse Ariano "Vilão Assassino". O inimigo do computador. Não! Minto. Segundo ele, o computador que é seu inimigo (risos). Eita, hômi engraçado, menino! Ontem, felizmente, tive a honra de conhecer meu conterrâneo, lá de Taperoá. Foi emoção, viu? Bom, mas vamos começar por onde tudo começa, pelo início. Ou como diria meu amigo Jonas, "vamos fazer igual a Jack, o estripador, vamos por partes". Esse é outro, que não é lá de nós, mas se sairia muito bem na comédia em pé (sorriso).

INÍCIO: Atrasada como sempre, corri pra pegar o busão e ouvir Ariano Suassuna falar por alguns minutos. Eu tava muito ansiosa pra vê-lo. Cara, eu moro na cidade dele e nunca o vi. Tenho 20 anos e, até então, só ouvia falar em Ariano. O cabra macho de Taperoá. O típico nordestino com muito orgulho, "sim sinhô". Ariano é um figuraça. Carismático, divertido e bruto, rapaz. Lembra até o também típico nordestino Seu Lunga, lá das bandas do Ceará. O qual também tive o prazer de conhecer, em minha única viagem pro Juazeiro do Norte. Disso falo outra hora. Tô enrolando tudo, né? (risos). Voltando a falar da palestra de ontem, achei que não ia dar tempo chegar. Porém, como tudo no Brasil é desorganizado e ninguém chega na hora, colocaram a palestra para acontecer em um espaço desproporcional ao tamanho do cabra; e Ariano ainda não havia chegado. E tava lotado o Sindicato. Tááá bOm! O Sindicato não, mas o espaço tava. E eu fiquei com B, ali, escondidinha por trás de um telão, que não sei, até agora, que serventia tinha. Bem, mas prossigamos. Chegamos lá umas 19h, mais ou menos, ou pouco mais que isso, e não tinha começado ainda. A galera já parecia cansada e nós também. Ficamos, ora de pé, ora sentados no chão, e nada!! Ponteirinhos que rodam ou números que se alteram no visor do relógio, vai depender do modelo (risos). E nada!! Só umas apresentações de música e poesias, mas, sinceramente, eu não tava interessada e acho que a maioria do pessoal também não. Não desmerecendo os que se apresentaram, mas a galera queria mesmo era ver ele. O cabra!! Foram duas horas!! Duas eternas horas com os pés doendo e as costas quebradas de tanto senta e levanta. Só que algum dia tinha que chegar, né? E chegou!! Ana Patrícia. Minha amiga chegou naquela hora. Quase 21h. Ceguinha a coitada!! Quase não me enxergava dentro daquele aperto todinho. Ela teve sorte, porque chegou bem na hora que ele também chegou! Ariano entra.

MEIO: Eita, cara, quando ele entrou, deu um gelinho na barriga, sabe? Aquela sensação de que você engoliu uns mil pedaços de gelo e vedaram a sua boca com fita isolante. Foi essa!! Ele é muito massa! Ariano tava vestido com uma camisa de botão vermelha por dentro e uma por fora, da cor preta. "Tudo feito por Edite" (risos). Ele chegou de mansinho e sentou num cantinho reservado pra ele, naquele palco pequeno. Eita, negócio desorganizado, rapaz. Ele ficou muito escondido. E, ainda por cima, deixaram um "troço" na frente do rosto dele. Nãm. Pensei que eu não ia nem ver "a lenda". Mas, tiveram bom senso e tiraram o "troço" de lá. Que velhinho mais bonitinho. Aninha disse que tava com vontade de dar um xêro nele (risos). Doidinha?! Logo que ele sentou, o menino que estava na minha frente ergueu o braço e ficou acenando pra ele. Aí, de inchirida, fui na onda também, né? E não é que o hômi acenou, rapaz!! E B disse que ele acenou foi pra mim. "Eita! Que eu tô ficando importante!". Quando Ariano começou a falar, silêncio total. E ele já foi tirando onda. "Muito obrigado pela presença de você. Porque eu vou logo avisando que, se fosse eu, pra ficar esse tempo todinho esperando aqui, eu mesmo não vinha, não" (risos). Hômi, a gente já tinha até esquecido que ele tava tão atrasado. Ariano contou sobre sua posse na Academia Pernambucana de Letras e essa foi uma das histórias que mais me fez rir na palestra inteira. Ele disse que quando ia ser homenageado, recebeu uma ligação de um alfaiate exclusivo, pedindo suas medidas para poder fazer a roupa que Ariano usaria naquele dia. E o bicho ia fazendo a voz do alfaite, todo carioca com paulista, e eu me acabando de rir, lá atrás. Ariano disse que ouviu tudo que o alfaiate falou e, por fim, disse: "Tá, vá falando aí, mas a minha roupa, quem vai fazer é Edite" (risos). Foi a piada da noite. Ele ainda falou sobre seu repúdio por viagens. "Eu só conheço dois tipos de viagem: a tediosa e a fatal" (risos). Ele fez piada do começo ao fim, sem deixar de expressar o seu amor pelos livros e pela Paraíba. Ariano foi muito aplaudido. A cada história sua, o público ria muito. Caraca! E eu estava lá, olhando pra ele. Ouvindo ele. Pessoalmente. NOOOOOSSA!! Eu queria muito chegar perto dele. Ficava repetindo isso diversas vezes pra B. Queria muito, gente!! Muito!! Fiquei nesse desejo todo, até que ele encerrou a palestra.

FINAL: Antes dele sair do palco, um cara ainda foi ler umas coisa lá e tal. E ele ficou lá, parado, só ouvindo. E eu vendo a galera se aproximar, se aproximar. E eu queria ir. E eu tinha que ir. Tinha que dizer pra ele que eu sou taperoaense e admiro muito seu trabalho. Foi assim, sem saber como, que disse: "B, eu vou lá. Segura minha mochila". Partiu, amigo!! Quando vi, já estava lá, perto da faixa que divide a plebe da burguesia. Eu estava a um passo de Ariano Suassuna. Um dos maiores nomes da Literatura Brasileira. Era ele. Era eu. Ali. Mas, era também um monte de gente empurrando, pedindo autógrafo, abraçando. E eu, lá. Babando. Até, que o segurança deu um vacilo e eu ZAPE!! Consegui, cara! Consegui passar por baixo da faixa e me disfarçar de burguesia. CARACA!!! É Ariano p****! Enquanto ele autografava alguns livros, os seguraças faziam uma corrente ao redor dele, pra que ninguém tivesse acesso. Mas, como diz minha amiga Gemma, eu sou compactatória. Encostei o corpo perto das mãos dos seguranças, empurrei um pouquinho e passei a cabeça por baixo. Olhei nos olhos dele. Ele segurou a minha mão. Eu paralisei. Só consegui dizer que era de Taperoá e que estava tendo o prazer de conhecê-lo. Parece que o mundo parou naquela hora, pra nós dois. Ele olhou só pra mim e eu olhei só pra ele. Ele levou a minha mão direita até a boca, me dando um beijo suave. E lhe retribuí, claro! Beijei-lhe a pele das mãos, sensível, cansada e com marcas de tempo. Foi único. Ariano é único. Ele sorriu. Me olhou. E disse: "Tchau! Vá com DEUS". Caramba! Foi demais. Acho que já posso acabar aqui. Ah, não. Falta B. B tava me esperando e tentando fotografar alguma coisa, mas não deu. Ficou na mente, mesmo!! Ficou no coração. Ficou na pele das minhas mãos. E no cheiro que guardei.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Anônimo!!

"Visão de raio X. O X dessa questão é ver além da máscara"
(Pouca Vogal)


Não deu certo, né? Eu percebi que era você. Anônimo! Merda de Anônimo. É tudo seu. Eu sei que é. Não adianta erros, nem palavrinhas mixurucas. Adianda sentimento. E isso você sabe fazer muito bem... Sabe fazer eu te sentir em qualquer coisa, em qualquer lugar, em todos os tons, em todas as cores. Mas você não acha que eu precisava saber que era você? Se você sente tudo aquilo e quer continuar ali, eu precisava saber. Era o mínimo de respeito que faltava. Era o mínimo da merda da consideração que faltava, depois de todos esses anos. Depois de todas as juras e segredos trocados. Depois de eu conseguir coragem pra dizer que eu te amo. Era o mínimo!! Por que você sempre prefere o caminho mais duro? Prefere a máscara. E você achou que ser Anônimo era a melhor saída. Você é um tolo! Igenuidade na minha idade? Não rola mais. A vida ensina que nela só vive quem sabe arriscar, quem se intromete... Que droga! Outra vez. Eu já te perdoei tantas vezes. Eu tinha esperança na sua metamorfose, sabe? De verdade!! E você só diz não. Não! Não pra nós dois. Tô cansada, sabe? Mais uma vez. Mais uma queda! E eu tô sempre ali. Arrumando toda a bagunça que você faz. Tô sempre estendendo a mão e te dando mais uma chance. Só que essa foi a última vez. Pode ter certeza que agora é do meu jeito. Sem vingacinhas baratas, nem trocadilhos medíocres. Sou eu de cara limpa, mostrando pra você como é que a gente ama alguém, sem esquecer de te deixar provar como é que se perde também. Não adianta mostrar a cara agora. Eu não preciso de atitudes suas, as palavras já me ferem o bastante pra querer sair daqui. Espero que alguém te ajude a se encontrar. A tirar essa máscara que já está impregnada ao teu rosto. Agora só sei que, por aqui, você não vive mais. Sem nomes, sem identidade, sem amor, agora!!

Sayonara Rodrigues

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Acontece por aí!!

Dezoito horas. Desligo o computador e agarro o celular. "Daqui a alguns minutos ele liga", eu penso. Trim... Trim... O celular toca. "Tá. Tô saindo. Quando chegar no penúltimo sinal, me liga, certo?". Recebo algumas orientações pra me cuidar durante o final de semana e saio, sem olhar pra trás, naquele corredor enorme, que percorro todo fim de tarde, às 18h. Enquanto faço meu trajeto diário, Luíz sorri, no alto dos seus 8 anos, quando vê seu pai entrar em casa, carregando um chaveiro com uma chave grande e preta. Carlos havia comprado uma moto, que estava em promoção, na concessionária próximo de sua casa. Era o sonho de Luíz. Ele grita, abraça o pai, chama a mãe para ver o mais sublime de seus sonhos. Aquela CG vermelha, com um adesivo preto escrito "Deus sempre está conosco", fazia os olhinhos do menino brilhar. Luíz vem de uma família humilde e batalhadora. Carlos trabalha de padeiro, numa padaria no centro da cidade. Graça lava roupas e faz faxina para ajudar nas despesas da casa. Luíz faz a terceira série e sonha em ser jogador de futebol, como a maioria dos moleques da sua idade. Cabelo preto e corpo pequeno, ele adora subir nos galhos do pé de castanhola, que fica no quintal de sua casa. Luíz gosta de estudar. O garoto é inteligente e espera ajudar a mãe quando crescer. Eu acabo o corredor e me despeço de mais um amigo que trabalha no setor de protocolos. Desejo uma boa noite e ele me sorri. Ouço os comentários diários dos seguranças e, por fim, entrego a chave do meu setor. "Hoje é sexta-feira", eu lembro. E vem aquele sorriso de vontade de aproveitar preguiça. Mesmo sendo tão tarde, Luíz insiste com o pai, que acabou de chegar do trabalho, para levá-lo no seu super megazóide vermelho a um passeio nas ruas da capital. Depois de muita insistência e algumas muitas birras do menino, Carlos decide levá-lo. O pai não mede esforços para agradar o filho, que lhe beija e abraça a todo instante. Carlos nem toma banho, muito menos se alimenta, apenas pede que Graça troque de roupa e os acompanhe na aventura. Carlos tirou sua habilitação há apenas um mês e não pratica desde então. Eu chego ao ponto de ônibus rotineiro. Tiro o ipod da bolsa e tento sufocar os ouvidos para não pensar. Canto alto, sem me importar com os olhares incomodados, afinal, eu tô no meio da rua e lá, o mundo é meu... Eu canto, grito, faço caretas. Olho pro relógio algumas várias vezes, porque não gosto de ficar ali, esperando. Na verdade, não gosto de esperar! Agarro o celular com mais força, acho que isso vai fazer ele ligar mais rápido. Alguns minutos passam pelo visor do celular e algumas vozes gritam ao meu ouvido... Dentre elas, a de Grabriel, que me faz refletir e me enfurecer ainda mais com a merda da desigualdade social. "Tá muito sinistro! Alô, prefeito, governador, presidente, ministro, traficante, Jesus Cristo, sei lá... Alguma autoridade tem que se manifestar"! E nada de ele ligar. Graça se apronta e, com um orgulho a mais no peito, grita por Luíz, que foi contar pro vizinho sobre a moto nova que havia acabado de chegar em casa. Quando ele volta, Graça o coloca devagar no banco, agarrado ao corpo de Carlos. Os três saem juntos, cantando. Eles fazem um giro pelo centro da cidade, prestigiando as luzes e a água que jorra no meio da lagoa. "É tudo tão lindo, não é, pai? Quando a gente olha aqui de dentro do peito.", diz Luíz, com os olhos vidrados nas luzes da lagoa. O pai encerra os pensamentos do menino com um abraço e um convite para continuar o passeio. "Que susto!". Por causa do trânsito horrível, meu celular só tocou novamente às 18:35. "Beleza, tô esperando.", eu digo e desligo. Alguns minutos depois, a moto para do meu lado. A mulher de cabelos escuros e vestido verde, parecido com o que usam as freiras, desce da moto com certa dificuldade. Em seguida, despede-se do marido e abraça forte Luíz. Ela o beija na testa e depois nos dois lados da face. Outro beijo no marido e um "tchau" baixinho no ouvido dele, seguido de um "cuidado, meu amor.". Agarrada ainda à mão direita de Luíz, Graça lhe dá um pequeno beijo no polegar e vai escorregando devagar a mão, que escapa da dele, como em câmera lenta. Os dois, enfim, saem em direção ao posto de gasolina. Graça enconsta-se no banco, onde eu estou sentada agora, e reza baixinho um Pai Nosso. Eu não ouço, mas entendo o que ela diz. Após a oração tão devota, ela olha os dois, presos num sinal, estende a mão e pede que DEUS os abençoe. Êpa! Sacanagem, ia perdendo o ônibus de novo... Antes de entrar no ônibus, olho para Graça e a levo comigo na lembrança.


terça-feira, 1 de março de 2011


O que é que a gente faz quando não sabe o que tá sentindo?
Quando a cabeça fica cheia e as mãos trêmulas?
O coração sufocado e as lágrimas rolam?
E o pior de tudo, quando a gente não consegue dizer o que tá perturbando?
Meus dias têm sido de muito calor e pouca alegria.
De pouca emoção, de muito esgotamento.
De pouco sucesso e muita luta.
De nenhum entusiasmo e muita decepção comigo.
E eu não sei nem ao menos desenhar essa bagunça aqui dentro.
A proposta é simples. Eu só tenho que cumprir.
Só que têm muitos móveis pelo caminho.
Muito medo de tropeçar; Muita falta de paciência.
Eu acho que você tem toda razão. Tenho tido várias personalidades habitando meu corpo.
Uma hora assim, e outra frita; Não tá dando. Não tô conseguindo seguir.
Eu eu nem consigo te dizer isso. Falta coragem pra falar da minha fraqueza;
Sobra coragem na hora de cair de vez, no meu fracasso.
Todo mundo deveria vir com um manual de utilização.
Com um controle remoto. Para que a gente pudesse mudar de canal e de cor na hora que quisesse.
Minha vida anda tão dividida. Tão fragmentada entre o mundo real e o imaginário.
Entre a beleza e o ridículo. E por mais que eu tente, não consigo te fazer entender o que eu sinto.
Sou extremamente incapacitada de me colocar pelo avesso na tua frente.
De me despir. De deixar que você veja meus medos, minhas verdades, mesmo que pareçam mentiras.
Só quero que a vida não me abandone agora, que a fragilidade veio.
Que as nuvens estão tão carregadas. Porque por mais que eu queira; Por mais que eu sinta a necessidade de te mostrar;
Eu não sei dizer...





"Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto." (Caio F.)